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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O ceticismo intelectual

Para muitos estudantes o ingresso na faculdade significa a realização de um sonho, a possibilidade de se prepararem para a capacitação profissional. Com isso, uma nova realidade se desdobra na vida deles. Para alguns deles, a entrada na universidade é a oportunidade de viver segundo a sua liberdade; e atraídos por tudo aquilo que o mundo oferece, assumem outros compromissos julgando-os mais importantes e urgentes. Quase que seguindo os mesmos passos de outros que os antecederam, muitos colocam a sua experiência de fé num segundo plano. Dessa maneira, pouco a pouco, abandonam o conhecimento transmitido pela Igreja.

Algumas pessoas alegam ter deixado de viver sua espiritualidade por falta de tempo e por dificuldade em conciliar os compromissos da faculdade com as atividades na paróquia. Outros justificam o afastamento por algum tipo de discriminação ou má conduta de pessoas que estão à frente dos serviços pastorais. Há aqueles que dizem ter abandonado sua religião por terem vivido algum tipo de decepção com o sacerdote ou por considerarem maçante viver os compromissos eclesiais, como a participação nas missas, a vivência dos sacramentos, entre outros. Muitas das possíveis justificativas não passam de meras desculpas.

É interessante perceber que, dependendo dos nossos interesses pessoais, somos capazes de suportar dificuldades quando vislumbramos algum tipo de benefício. Sabemos, contudo, que, mesmo na faculdade, precisaremos também atender às exigências do currículo escolar. Somos obrigados a cumprir algumas disciplinas mesmo que estas não nos agradem. Apesar de tudo, não desistimos das obrigações universitárias em vista de nossos objetivos profissionais.

Mas que vantagens temos em nos aplicar também em nossa espiritualidade?

"Conhecereis a verdade e ela vos libertará"… Para aqueles que estão envolvidos num ceticismo ditado pelos “mestres do conhecimento”, o céu e a salvação eterna são tidos apenas como utopia.

Muitos acreditam em algo somente quando são convencidos por provas científicas. Outros contestam a existência de Deus quando são apresentadas muitas calamidades que assolam o planeta, como as tragédias naturais, os genocídios em muitos países, as guerras, a miséria, entre outros. O ceticismo intelectual é capaz de convencer os estudantes a ponto de considerarem irrelevante a busca da fé. 

Que evidências poderiam sustentar a defesa de que há algo a mais, além de todas as coisas que vivemos neste plano natural?

As pessoas, cuja espiritualidade está fundamentada apenas nas sensações e nos bons sentimentos e experiências místicas a respeito das promessas de Deus, são facilmente seduzidas pelos argumentos descrentes de seus professores ou colegas.

Os grandes mártires foram testemunhas corajosas que levaram a cabo o princípio evangélico, conforme descrito em Mateus 22,37: “Amarás o teu Deus de todo coração, de toda sua alma e de todo seus espírito”. O testemunho desses homens nos faz perceber que professar a fé somente imbuídos de sentimentos não será algo suficientemente forte para suportarmos outras possíveis provações.
Nos dias atuais, de maneira semelhante, muitos cristãos passam por algum tipo de intolerância religiosa, seja na vida cotidiana ou no âmbito universitário, simplesmente, por professarem sua fé em Deus.

Muitas pessoas deixaram de viver a sua espiritualidade talvez por terem vivido apenas a superficialidade de uma fé exigente e comprometedora. Para que ninguém venha a sucumbir diante de outros argumentos é importante saber em quem estamos depositando nossa confiança, nosso coração, nossa alma e todo nosso espírito.

A cada um de nós cabe nos aprofundar no entendimento de que viver uma espiritualidade é responder a um chamado, o qual parte da necessidade íntima de um encontro com Aquele que se deixa revelar também nas descobertas científicas. Pois, ainda que tenhamos descoberto a sequência do código genético, quem poderia tê-lo programado?

Deus o abençoe. Um abraço!

Dado Moura

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Deus não cabe em nossa cabeça

 Muitos pensadores realmente creem que Deus não existe. Essa conclusão é fruto de seu vasto conhecimento científico. Muitos físicos, químicos, filósofos, psicólogos, enfim, grandes cientistas, acham que Deus e a religião são meras criações da mente humana. Freud acreditava que a religião não passava de uma estratégia infantil para lidar com nosso desamparo. Muitos outros também escreveram obras – e, certamente, despenderam muito tempo de suas vidas – com a unica finalidade de “matar Deus” e desmerecer a religião.
Andei refletindo um pouco sobre a célebre frase de Santo Agostinho: "Se O compreendesses, Ele não seria Deus" . O que faz uma pessoa inteligente, definitivamente, não é a quantidade de informações que seu cérebro armazena, mas sim, a capacidade de conectar as coisas e dar novo sentido. Esse grande doutor da Igreja é uma prova cabal disso. Com uma frase, derruba todas as pretenções de conhecimento dos grandes cientistas, verdadeiras bibliotecas ambulantes. Explico a frase. A ciência, tal como a conhecemos hoje, fundamentou-se no famoso paradigma cartesiano. Segmentar para entender. Reduzir a vida a pequenas partes, na pretenção de compreender o todo. Modelo falido, diga-se de passagem, mas não sem importância. Entretanto, Deus não “obedece” essa regra. Não é possível dividir Deus em pedacinhos para compreendê-lo. Logo, a impossibilidade de compreender um Deus que foge de minha capacidade cognitiva gera uma angústia tremenda. É mais fácil para o ser humano aceitar que Ele não existe e fundamentar a vida somente no material, no explicável, no visível, no que é facilmente comprovado. Parece um equívoco o que digo, mas não é. Nós definitivamente não sabemos conviver com o desconhecido. Ele nos provoca, nos inquieta, nos amedronta. Quando não sabemos o porquê de algo, logo criamos significações para explicar. Daí os mitos, as teorias... todos fruto da ânsia de saber todos os porquês da vida. Tentar fazer Deus caber em nossa cabeça é criar um deus que não existe. É idolatria. O mesmo mal cometido pelos antigos hebreus com nova roupagem.
A ciência não pode ser substituta da fé. A fé é o que deve dar conta das coisas de Deus que estão para além de nossa compreenção. Não estou demonizando a ciência, pelo contrário. Estou apenas delimitanto seu objeto de estudo – para usar termos bem científicos. Também não se trata de ressuscitar a velha divisão mente-corpo cartesiana, mas reiterar o fato de que Deus não pode ser explicado com teorias simplistas que partem do ser humano. O fenômeno religioso não pode ser ponto de partida para o conhecimento de Deus. Por fim, termino com outra frase do grande santo agostinho: “Não queiras entender para crer; crê para que possas entender. Se não crês, não entenderás. “