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quarta-feira, 2 de março de 2011

O que é a Ditadura do relativismo?

É a expressão de Bento XVI para caracterizar o regime filosófico imposta ao mundo contemporâneo. Desde o início do Conclave que o elegeu, o então Cardeal Joseph Ratzinger vem despertando os fiéis para responder a esse sistema, sintoma de uma sociedade que abdicou do pensamento.

Não poderia o Papa cunhar sentença mais feliz: ditadura do relativismo. Relativismo porque a idéia central é a ausência da verdade absoluta, tese já velha, que vem do século XVII. Mas é ditadura, também, e aqui está a novidade, pois é proibido sustentar o contrário. Todos têm um direito a tudo (até ao erro), menos direito a pensar que essa liberdade de errar é mera tolerância. Tudo, então, é relativo, exceto o próprio relativismo – e aí a petição de princípio. Já que a verdade é relativa, qualquer um é livre para acreditar no que quiser, menos defender que ela seja absoluta. Se o relativismo é um erro, pior ainda que não admite que a ele alguém se oponha.

Conseqüência lógica dos ideais iluministas – porque assim eliminam-se os adversários de seu errôneo programa –, parece tal cerceamento uma contradição. Sim, pois se a liberdade é absoluta e a verdade relativa – portanto, todas as idéias são igualmente aceitas, por que os defensores da liberdade relativa e da verdade absoluta são perseguidos? Então a liberdade não é tão absoluta, nem a verdade tão relativa!

O que está por trás disso não é o amor à liberdade, mas o ódio à verdade. Sob a capa de uma liberdade absoluta – que, aliás, seria imoral –, esconde-se a mais terrível das tiranias.

Na realidade, nem os que propugnam a verdade relativa nela acreditam. Pensam, no fundo, que ela é absoluta – pois negam a liberdade a seus opositores. Sua agravante é a hipocrisia. E a hipocrisia – atroz e autoritária – é sua arma principal.

Em guerra estão dois exércitos. O bem e o mal. A luz e as trevas. Os que dizem, com todas as letras, que a verdade é absoluta e a propõem aos homens, e os que também acham que é absoluta, mas disfarçam-na de relativa, e, desse modo, a impõem a todos.

Temos de reagir, antes que seja tarde.

Autor: Dr. Rafael Vitola Brodbeck

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Católico liberal é uma pessoa de dupla face


“O católico liberal é uma pessoa de dupla face, em contínua contradição. Quer manter-se católico e, ao mesmo tempo, tem o afã de agradar ao mundo.”-  Monsenhor Marcel Lefebvre
duas-facesVivemos em uma sociedade que preza a liberdade de culto e manifestação religiosa havendo um profundo respeito para com todas. Porém, respeito, liberdade de culto e manifestação religiosa não implicam em dizer que todo credo religioso leva ao mesmo lugar ou diz a mesma coisa. No mundo moderno (relativista) se afirma: “pessoas diferentes gostam ou precisam de coisas diferentes”; “basta crer em alguma coisa”; “não imponha seus valores aos outros”; “todas as religiões são boas e falam de bons costumes”.
Diante de tal situação todas as religiões são obrigadas a serem vistas de forma igualitária cujo Deus se configura como uma espécie de empregador que dá oportunidades iguais a todos e que todas as rotas das diversas religiões conduzem inteiramente a Deus.
A visão relativista tem promovido o sentimentalismo religioso revestido de superficialidade, camuflando a verdade que está por traz dos fatos. As religiões divergem em seus pontos fundamentais quanto ao credo, algumas são politeístas, as que admitem vários deuses; outras panteístas, as que identificam divindade como presente no todo; outras monoteístas, que professam um único Deus distinto de tudo.
Não é pelo fato de muitas religiões falarem de bons costumes que se deve cair na tentação em minimizar as diferenças doutrinárias existentes entre elas, unindo-as em meros princípios de padrão moral. Porém, tal fato tem sido promovido e se tornado verdade que relembro um artigo da Revista VEJA n.51, de 25 de dezembro de 1991, em que 30% dos que se consideram católicos, ao mesmo tempo, acreditam na reencarnação, sendo um fato totalmente contraditório.
O Cristianismo é visto hoje apenas uma entre muitas religiões, sendo muitos cristãos arrastados pela falsa “liberdade” de adotar qualquer tipo de crença ou credo tendo como desculpa desmedida o respeito para com todas, adotando assim a visão relativista tendo como coluna fundamental a premissa: “A verdade esta nos olhos de quem vê”.
O cristão católico respeita outros credos, porém não adota a visão relativista. Agindo desta forma estaria vendendo a doutrina da salvação, crucificando o cristianismo sem esperança de ressurreição, reduzindo a encarnação a um mito e Cristo a um mero mestre dentre os muitos filósofos e gurus.
Para isso alerta a Palavra de Deus:
“Porque virá o tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas”. (2Tim 4,3-4).
Para não cairmos no sincretismo religioso descrevo alguns aspectos essenciais que um Cristão deve adotar diante da visão relativista.
Crer é o primeiro passo, pois não podemos depositar nossa crença em algo a menos que creiamos que ela exista. Porém o cristão não crê em qualquer ensinamento ou doutrina, pois toda sua crença esta fundamentada nos ensinamentos de Jesus Cristo, que não deve ser confundido como o mero fundador de uma nova religião ou corrente filosófica, mas com o próprio Deus encarnado na humanidade.
O segundo passo é o arrependimento que não implica apenas em sentimento de culpa ou remorso pelos pecados cometidos. Porém tomarmos consciência de que o caminho verdadeiro é o concebido pelo próprio Deus para nos levar a ele. E que este caminho é uma pessoa, a única que disse: “Eu sou o caminho a verdade e a vida[...] Ninguém vem ao pai senão por mim. Jo 14,6”
O terceiro passo é ter fé no sentido bíblico: que não é apenas adotar uma crença, mas aceitar e receber Cristo como Deus, Salvador e Senhor de sua vida como o único caminho que revela a Deus em sua plenitude.
O quarto passo é percorrer este novo caminho, vivendo realmente a vida Cristã. Este novo caminho sendo percorrido produz muitos frutos que derivam da fé, pois a fé sem obras está morta.
Portanto o cristão Católico não pode ser adepto de outras doutrinas pelo simples fato de acreditar existir apenas uma religião revelada por Deus cujos testemunhos neo-testamentários afirmam claramente: “O pai enviou seu Filho como salvador do mundo”(1 Jo 4,14); “Deus amou de tal maneira o mundo que entregou seu Filho único, para que todo homem que acredita nele não se perca, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para este ser salvo por seu intermédio” Jo 3,16-17;
Talvez algum leitor não cristão que ler este artigo possa se impressionar pelo fato de termos o Cristianismo como a religião revelada por Deus e também por professarmos a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo. Baseado nesta possível incompreensão desenvolverei esta temática no próximo artigo.