Mostrando postagens com marcador Fé e política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fé e política. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"O Estado é laico, portanto não se pode tomar por base critérios morais ditados pela religião se a decisão do voto também terá impacto na vida dos não-cristãos, ateus e agnósticos." Será?

Pe. Berardo Graz

Há quem diga que a escolha de um candidato deve prescindir das nossas “opções religiosas”. Normalmente quem pensa assim começa com aquele velho [e, para mim, insuportável] argumento de que “o Estado é laico, portanto não se pode tomar por base critérios morais ditados pela religião se a decisão do voto também terá impacto na vida dos não-cristãos, ateus e agnósticos”.

Então quer dizer que eu devo me desfazer das minhas convicções para aderir a uma convicção que se alinhe ao senso comum?

E se o que o senso comum determinar não for o melhor para todos?

E se a voz do povo não for a voz de Deus?

Vou ter que me consolar com a ideia de que “pelo menos não me dei mal sozinho”? Vou ter que driblar minha consciência, moldar meu posicionamento e minha orientação política para seguir, bovinamente, as escolhas de uma sociedade- em muitos aspectos- doente?

Que mal há em lastrear as minhas escolhas em uma moral religiosa que está arraigada em mim e que eu, sinceramente, acredito ser o melhor não só para mim mas para toda a sociedade?

(...)

Fonte (ver na íntegra em): http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Debate dos presidenciáveis na Canção Nova e TV Aparecida

A noite de segunda-feira, 23 de agosto de 2010, foi "um marco na história da Igreja no Brasil". Foi o primeiro debate com os presidenciáveis promovido por uma rede católica no país. A iniciativa foi da Tv Canção Nova e da Tv Aparecida sendo o evento transmitido também por mais de 200 rádios e 6 canais de Tv. Infelizmente, só pudemos ouvir as idéias de 3 do total de 10 candidatos ao cargo de presidente da república. Eu tive a oportunidade de ver o final do debate pela televisão e mais algumas partes no site da Canção Nova (confira no link abaixo). Foram 2 horas e 15 minutos de respostas sobre temas que interessam o público católico. Na platéia estiveram presentes várias autoridades da Igreja no país.

O texto de Dom Geraldo Majella, publicado neste blog semana passada, nos lembra da importância do voto consciente que os católicos e todo o povo brasileiro devem dar nestas - e em todas - as eleições. Fica a dica de dar uma conferida nos flashs do debate disponíveis no site da Canção Nova. Nosso blog não tem intenção de fazer apologia a nenhum candidato ou partido político, apenas auxiliar os cristãos em sua tarefa de cidadão. Uma das formas de fazer isso é indicando os meios que a própria Igreja nos oferece, como através das referidas emissoras de Tv que, espera-se, sejam imparciais e não tendam a nenhum candidato.


Confira o debate: http://tv.cancaonova.com/mostramateria.php?id=6342

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A ação política

Faltam poucos dias para as eleições. Momento de grande responsabilidade para o exercício da democracia e do dever da cidadania. A comunidade política e a autoridade pública têm o seu fundamento na natureza humana e, por isso, pertencem à ordem estabelecida por Deus.

Todas os cidadãos têm o dever de tomar parte na atividade política, entendida como serviço ao bem comum. A autoridade pública tem o dever de guiar e coordenar, respeitando os direitos das pessoas e das comunidades intermédias.

Infelizmente, muitos desconfiam da política, preferindo manter-se à distância. Outros entram nela para fortalecerem interesses pessoais ou de grupo. Outros, por fim, fazem disso uma espécie de messianismo, por pretenderem libertar o homem de todos os males.

A Igreja tem em alta estima a genuína ação política; diz que é “digna de louvor e de consideração” (Concílio Ecumênico, Gaudium et Spes 75), e aponta-a como “forma exigente de caridade” (Paulo VI, Octogésima adveniens 46). Reconhece que a necessidade de uma comunidade política e de uma autoridade pública está inscrita na natureza social do homem, e, por isso, deriva da vontade de Deus. Por outro lado, mostra os limites da política e vela por que não se torne açambarcadora ou até totalitária.

Na cultura do Antigo Oriente, o rei era adorado como um deus, como uma manifestação da divindade suprema. Segundo a Bíblia, pelo contrário, os governantes são apenas servidores de Deus para o bem do povo. Também eles estão sujeitos à lei moral e ao juízo exigente do Senhor. Assim diz a Bíblia: “Ouvi, ó reis, e entendei: aprendei, ó vós, que governais o universo! Porque do Senhor recebestes o poder, e a força do Altíssimo, que examinará as vossas obras e sondará os vossos pensamentos! Porque, sendo ministros do reino, vós não julgastes com retidão, nem guardastes a lei, nem andastes segundo a vontade de Deus” (Sabedoria 6,1.3-4). “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12, 17). “Submeta-se cada qual às autoridades constituídas”. Pois não há autoridade que não tenha sido constituída por Deus. Ela é um instrumento de Deus para o bem. Se, porém, fizeres o mal, então teme, porque não é em vão que ele empunha a espada: portanto, é, de fato, um agente de Deus, justiceiro para castigo daquele que o faz. É necessário submeter-se não só por causa do castigo, mas também por motivo de consciência” (Romanos 13, 1.4-5). É preciso orar “pelos soberanos e por todas as autoridades, para que tenhamos vida tranquila e sossegada, com toda a piedade e honestidade.” (1Timóteo 2,2).

O estado assume um rosto demoníaco quando, esquecido do seu papel subsidiário de serviço, se torna totalitário e toma o lugar de Deus. Em situações semelhantes, os cristãos têm o dever de resistir.

Segundo a doutrina da Igreja, a ação política autêntica é serviço para o bem comum, com transparência e competência.

O bem comum de uma população consiste “no conjunto de condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançarem mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes 74). Engloba todos os direitos fundamentais da pessoa, os valores morais e culturais que são objeto de consenso geral, as estruturas e as leis de conveniência, e prosperidade e segurança. A sua figura histórica global é mutável e tem de ser constantemente definida, segundo as exigências da liberdade e da solidariedade.

Os cidadãos são, ao mesmo tempo, destinatários e protagonistas da política.Têm o direito-dever de aprovar o sistema político, de eleger os governantes e de controlar o seu trabalho. Inseridos nas comunidades intermédias e nas associações, participam na gestão de numerosos serviços especialmente nos setores da educação, da cultura, da saúde, da assistência e promoção humana.

Este ano de 2010 é muito importante. Elegeremos o presidente da república, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Nós os eleitores teremos a responsabilidade de votar em pessoas que sejam dignas desses cargos e funções. Um voto dado irresponsavelmente , quem vai sofrer é o povo.

Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Fonte: http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/cardeal-geraldo-majella-agnelo/4306-a-acao-politica