terça-feira, 29 de março de 2011

A Igreja deve necessariamente adaptar-se a TODAS as mudanças culturais do mundo?

Será que a Igreja deve necessariamente adaptar-se a todas as mudanças culturais do tempo em que se encontra? É esta a maneira correta de dialogar com o mundo?


Entrevista com o sacerdote francês Laurent Touze, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz publicada no jornal “Süddeutsche Zeitung”, com o título “Igreja 2011: uma pertença necessária”.

O Pe. Touze publicou, no Ano Sacerdotal, o livro “L’avenir du célibat sacerdotal” (”O futuro do celibato sacerdotal”), Parole et Silence/ Lethielleux.

A abolição do celibato é realmente a solução para a vida dupla ou para a dupla moral que alguns sacerdotes vivem?

Pe. Laurent Touze: A verdadeira solução para a vida dupla, para o farisaísmo do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, é simplesmente a conversão. Muitos homens e mulheres de hoje intuem que a fé pode ser a resposta para o que eles procuram, muitas vezes sem perceber; mas se dão conta de que dizer “sim” a Deus lhes implicaria em mudar a vida moral, abandonar seus apegos próprios e isso seria muito custoso.

Hoje vemos padres hipócritas, não coerentes - e a observação se aplica a todos os cristãos, não só aos sacerdotes; encontramos uma desculpa para não nos convertermos. Nós, crentes, temos grande parte da culpa, se esses homens e mulheres não acham a alegria e a paz do encontro com seu Pai. Nossa coerência ambiciosa e humilde, com a fé, permitirá que Deus converta seus corações.

Geralmente as pessoas associam o celibato com a Idade Média. O senhor acha que o celibato é realmente uma medida conservadora, ou faz parte da Igreja e da vocação ao sacerdócio?

Pe. Laurent Touze: Trabalhos científicos como os do Pe Christian Cochini ou de Stefan Heid recordam que os sacerdotes dos primeiros séculos viviam, todos, a continência sexual: ou porque eram celibatários, porque eram casados ​​ou porque renunciaram ao matrimônio depois da ordenação.

O celibato para todos os sacerdotes latinos é como uma evolução desta antiga tradição. Renunciando ao matrimônio, que é um dom maravilhoso de Deus, o sacerdote não despreza a carne. Na verdade, ele oferece o próprio corpo, como o Senhor Jesus se doou à Igreja. Com seu celibato, o sacerdote se torna adequado à Eucaristia que celebra. Porque diz em público, em nome do Senhor, “este é o meu corpo, este é o meu sangue, que será derramado”, também é chamado a oferecer publicamente sua vida a servir seus irmãos.

Um grupo de teólogos busca o sacerdócio feminino. É uma questão de igualdade?

Pe. Laurent Touze: Não, é uma questão de fé. A igualdade dos batizados é um princípio básico da Igreja. O que está em jogo aqui é que a Igreja não é uma criação nossa; ela vem de Deus, quem nos dá as características que não podemos mudar como se muda uma Constituição. Que o sacerdócio seja reservado aos homens faz parte dessas características. A Igreja sabe disso há muito tempo, e assim será para sempre.

Também se pediu a eleição popular dos bispos. É “antidemocrático” deixar essa decisão somente para o Papa?

Pe. Laurent Touze: O Papa não decide sozinho! Ele acompanha um longo processo de consulta, no país do bispo que quer nomear e, depois, em Roma. Nos últimos séculos, a Igreja tem conseguido, em muitos países, garantir a sua liberdade na decisão dos bispos, sem ter de se submeter aos chefes de Estado, a critérios políticos, ao invés de pastorais.

Eu não acho que seja um progresso o fato de transformar a escolha de bispos em uma eleição política ou sujeita a sondagens e manipulações. O que me parece fundamental é que o processo de nomeação permita que o povo de Deus tenha pastores fiéis e corajosos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tipos de Jejum

Na Quaresma somos convidados a refletir sobre o sacrifício de Cristo pela humanidade e a nos prepararmos para a grande festa da Ressurreição - a Páscoa. Dentre as formas de preparação que a Santa Igreja recomenda está o Jejum.

Veja, de forma rápida, alguns exemplos dessa prática. Avalia qual delas se adéqua melhor a seu cotidiano e saúde, e aceite esse desafio! Jesus, em sua morte na cruz, amou-nos à radicalidade.

Unidos no amor de Cristo, permaneçamos vigilantes!


sexta-feira, 25 de março de 2011

Vídeo para refletir o tema da Campanha da Fraternidade 2011

Embora com uma perspectiva de consumo americana, o vídeo mostra muito bem a realidade predatória que estamos impondo ao nosso planeta e suas consequências. "A criação geme em dores e parto"! Cabe a nós transformarmos essa realidade...

quinta-feira, 24 de março de 2011

História em quadrinhos vai narrar vida de Bento XVI

Uma história em quadrinhos vai ilustrar a vida do Papa Bento XVI. A iniciativa é da organização da Jornada Mundial da Juventude 2011 que pretende distribuir a publicação aos jovens participantes do evento, em Madri, no mês de agosto.
A partir de desenhos tradicionais dos quadrinhos japoneses (mangá), a narrativa detalha a vida e a obra de Joseph Ratzinger desde 2005, quando ele foi eleito como Papa após a morte de João Paulo II. O enfoque maior será dado para a relação do Santo Padre com a juventude.
A história em quadrinhos, elaborado por um grupo de católicos norte-americanos, tem um formato desenvolvido em San Diego, na Califórnia (EUA) e ilustrações de um artista de Cingapura.



Fonte: http://www.jovensconectados.org.br/artist/87-geral/268-historia-em-quadrinhos-vai-narrar-vida-de-bento-xvi-

quarta-feira, 23 de março de 2011

Porque não existem mulheres padres nem padres casados?

O sacerdócio é uma espécie de paternidade espiritual, tal como indica S. Paulo na sua carta aos Coríntios, dirigindo-se a eles como seus filhos: “Eu é que fui o vosso pai na fé em Jesus Cristo, anunciando-vos a Boa Nova” (1 Cor 4,15). Portanto, o sacerdócio é, por sua natureza, masculino, tal como a maternidade é pela sua natureza feminina. Além disto, todos os que foram ordenados sacerdotes agem na pessoa de Jesus Cristo, que encarnou como um homem, e que apenas escolheu homens como seus apóstolos, apesar de entre os seus discípulos mais próximos se encontrarem tanto homens como mulheres. Enquanto alguns grupos eclesiais têm mulheres ministras, tais associações não reconhecem a Ordem como sendo um sacramento ou a Missa como um sacrifício. Apenas os homens podem ser ordenados sacerdotes. No entanto, o Catolicismo tem-se provado incomum por ter tantas mulheres proeminentes seja na sua história como nos seus grandes doutores. A Igreja tem canonizado muitas mulheres santas e Santa Teresa de Ávila, Sta. Catarina de Siena e Sta. Teresa de Liseux são reconhecidas como doutoras da Igreja. Além disto, o Catolicismo tem dado honras singulares a uma mulher: Maria, a Mãe de Deus. Uma das consequências disto é que o Catolicismo evidencia tanto o feminino como o masculino na sua cultura e história. Apenas com algumas excepções, a Igreja não ordena sacerdotes homens casados. Uma simples razão é que, tanto o casamento como as Ordens Religiosas, implicam um chamamento a um serviço de amor a tempo inteiro (1 Cor 7,32-33). Para que dê frutos, o compromisso a cada vocação deve ser completo e é difícil para um homem abarcar vários.

Novo livro Papa Bento XVI

Bento XVI escreveu o segundo volume sobre Jesus Cristo: "Jesus de Nazaré. Desde a entrada em Jerusalém até à Ressurreição”. Esta segunda parte centra-se na paixão e ressurreição de Jesus. Embora este seja um livro de rigorosa investigação teológica também levanta questões interessantes para todos os cristãos: Jesus é Deus? Quão importante é a ressurreição de Jesus? Porque Deus não foi revelado ao mundo de poderosos, e apenas a um pequeno grupo de discípulos? Qual o sentido da confissão?...
O jornalista Marc Argemí resumiu o novo livro do Papa, num formato de perguntas e respostas. Aqui te deixamos 10 delas. (Fonte: Marc Argemí http://bxvi.wordpress.com/)


1.Jesus é Deus?
"Em Jesus, Deus tornou-se homem. Deus entra no nosso próprio ser. Nele, Deus é realmente o «Deus connosco» "(...). Conhecer a Cristo significa dar a conhecer a Deus".
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Página 113

2. Como é possível Jesus ser recebido com louvor em Jerusalém, poucos dias antes de ser crucificado?
"A cena de homenagem messiânica a Jesus ocorreu à entrada da cidade, e (...) os seus protagonistas não foram os habitantes de Jerusalém, mas aqueles que acompanhavam Jesus, que entraram com ele na Cidade Santa (...) Já se tinha ouvido na cidade falar do profeta que vinha de Nazaré, mas não teria qualquer relevância para Jerusalém, pois não era conhecido. A multidão que prestou homenagem a Jesus, na periferia da cidade, não é a mesma que pediu, depois, a sua crucificação".
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Páginas 18-19

3. Que pretendia Jesus quando lavou os pés dos seus discípulos?
"Jesus presta aos seus discípulos um serviço próprio dos escravos (...) Num acto simbólico, Jesus clarifica o conjunto do seu serviço salvífico. Despoja-se do seu esplendor divino, ajoelha-se, por assim dizer, diante de nós, para lavar e limpar os pés sujos e fazer-nos dignos de participar do banquete nupcial de Deus (...). O gesto do lava-pés expressa precisamente isto: o amor serviçal de Jesus livra-nos do nosso orgulho e torna-nos dignos de Deus, torna-nos 'puros' ".
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Página 73

4. Pedro promete ser fiel a Jesus, mas Jesus anuncia a sua tripla negação; o que é que falhou na sua abordagem?
Ao ser contrário à cruz, [Pedro] não consegue entender a palavra Ressurreição e gostaria de atingir o êxito, sem a cruz. Ele confia nas suas próprias forças. Quem pode negar que a sua atitude reflecte a constante tentação dos cristãos, e até mesmo da Igreja, em alcançar o sucesso sem a cruz? É por isso que tem de anunciar a sua fraqueza, a sua tríplice negação. Ninguém é em si forte o suficiente para percorrer sozinho, até o fim, o caminho da salvação ".
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Pág. 180

5. Porque é que o arrependimento de Judas termina da pior maneira possível?
"O seu remorso torna-se desespero. E só se vê a si mesmo e à sua escuridão, já não vê a luz de Jesus, a luz que pode iluminar e superar até mesmo a tibieza. Deste modo, faz-nos ver um modo errado de arrependimento: um arrependimento que já não é capaz de esperar, e que vê unicamente a própria obscuridade, é destrutivo e não um verdadeiro arrependimento. A certeza da esperança faz parte do verdadeiro arrependimento, uma certeza que nasce da Fé em que a Luz tem maior poder e se fez carne em Jesus”.
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Páginas 87-88

6. Qual a importância da Ressurreição de Jesus?
"A fé cristã permanece ou cai com a verdade do testemunho de que Cristo ressuscitou dentre os mortos. Se se ignorar isso, ainda se podem retirar, sem dúvida, da tradição cristã, certas ideias interessantes sobre Deus e o Homem, sobre o facto de se ser Homem e sobre o seu dever de o ser - uma espécie de concepção religiosa do Mundo -, mas a Fé cristã fica morta (...). Só com o facto da Ressurreição de Jesus acontece algo verdadeiramente novo que muda o mundo e a situação da humanidade. Então, Ele, Jesus, torna-se no critério no qual podemos confiar. Pois, agora, Deus manifestou-se realmente".
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Páginas 281-282

7. Como encontra o homem a vida eterna, segundo Jesus?
"O homem encontra a vida quando se apoia naquele que é a própria vida. Então, muitas coisas no homem podem ser abandonadas. A morte pode tirá-lo da biosfera, mas a vida que a transcende, a verdadeira vida, essa perdura (...). O que dá essa vida que nenhuma morte pode tirar é a relação com Deus, em Jesus Cristo".
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Páginas 104-105

8. Por que Deus não é revelado aos poderosos do mundo, e apenas a um pequeno grupo de discípulos?
"É próprio do mistério de Deus actuar de maneira discreta. Só gradualmente vai construindo a sua história na grande história da humanidade. Ele fez-se homem, mas de tal modo que pode ser ignorado pelos seus contemporâneos, pelas forças de renome da História. Sofre e morre e, como Ressuscitado, quer chegar à humanidade apenas através da fé de seus, a quem se manifesta. Nunca deixa de bater suavemente nas portas dos nossos corações e, se a abrirmos, torna-nos, lentamente, capazes de "ver". Mas não é esse o modo divino? Não utilizar o poder exterior, mas dar liberdade, oferecer e suscitar amor”.
José Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Pág. 321

9. Qual é o sentido da confissão, o sacramento da penitência?
"O que está em causa, no fundo, é que a culpa não deve continuar a apodrecer ocultamente a alma, envenenando-a, assim, de dentro. Necessitamos da confissão. Pela confissão trazemo-la à luz, expomo-la ao amor purificador de Cristo (cf. Jo 3, 20s). Na confissão, o Senhor volta sempre a lavar os nossos pés sujos e prepara-nos para a comunhão na mesa com Ele".
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. Página 93

10. Jesus diz: "Eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo" (Mt 28,20) Como o consegue? Onde está Ele?
"O Senhor está na Sua Palavra; está nos sacramentos, especialmente na Sagrada Eucaristia; entra na minha vida através de palavras ou acontecimentos. Mas há também outras formas que fazem história."
Joseph Ratzinger-Bento XVI, Jesus de Nazaré. II Parte. 337 páginas

Fonte: http://www.madrid11.com/pt/caminho/textos-do-santo-padre/599-jesus-nazaret

Página de João Paulo II no Facebook chega a dois milhões de acessos

VATICANO, 22 Mar. 11 / 02:38 pm (ACI) No dia 19, menos de uma semana depois da abertura da página Facebook sobre João Paulo II, quase 30 mil usuários já haviam clicado em "eu curto", o termo com o qual os fãs dão a sua aprovação ao site. Foram inseridos milhares de comentários, todos positivos, nas línguas mais diferentes, desde o italiano ao chinês.
Nos primeiros dois dias, as visualizações da página aumentaram no ritmo de mais de mil por hora. Praticamente todos os vídeos publicados foram vistos mais de 50 mil vezes, alguns até 113 mil. No total, houve mais de 2 milhões de visitas a notícias da página, informou hoje a Rádio Vaticano.
Estes são as primeiras estatísticas sobre a página dedicada a João Paulo II e sua beatificação, no Facebook. A página é resultado de uma colaboração entre a RV e o Centro Televisivo Vaticano (CTV), em sintonia com o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.
"Estamos muito satisfeitos com este andamento" - diz em comunicado o diretor geral da Rádio Vaticano, Padre Federico Lombardi.
"A partir desta semana, começarão a ser publicados vídeoclips do Papa em viagens e no Vaticano, com a sua voz em diversas línguas. São 40 vídeos com trilhas sonoras escolhidas pelas redações da RV e editados pelo CTV. Além destes, outros 25 expressarão momentos significativos e especiais das viagens e do Pontificado.
A página de Facebook sai como primeiro quando se faz uma busca na Internet."E já este - nota o diretor da RV e do CTV - é um elemento de satisfação".
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Texto de Felipe Aquino
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Afinal, sou feito de que?


No Brasil é obrigatório: toda peça de roupa tem que ter a etiqueta de composição, de como lavar, como secar, afinal, é feito do que? 60% disso, 38% daquilo e 2% de “outros materiais” (dá até medo desses 2%, rsrsrs, pula essa parte)…


Rolou a curiosidade? Passe a mão na camiseta que você está vestindo, deslize pela etiqueta no seu interior (se é que você não cortou fora como 67,38% da população) e… Deixe quieto! Isso é só metáfora, entendeu? Procure uma outra, procure a SUA etiqueta e me responda: VOCÊ é feito de que? Qual é a SUA composição?


Será que eu sou feito de bambu, de junco, uma cana ou caniço? Ou sou 100% algodão no formato de um pavio de vela de 7 dias? Em qualquer um dos dois casos estou “no lucro” porque Jesus disse que não veio quebrar a cana rachada, nem apagar o pavio que ainda fumega… Resumindo, posso ser de um material furreca (sinônimo de vagabundo) e estar completamente meia-boca (um vagabundo bem estragado) que mesmo assim Jesus ainda me quer e usa de Sua misericórdia para comigo! Ele continua me amando infinitamente.


No entanto, quer saber mesmo porque Jesus nos ama, mas não aposta pesado em nós? Porque a gente reza e pede para sermos instrumentos poderosos nas mãos de Deus e nada acontece? Por que Deus sabe que não dá! Que a gente não agüenta o serviço pesado.


Você usaria uma vara rachada pra pescar? Usaria um pavio fumegante para iluminar uma casa? Uma canoa furada pra atravessar um rio perigoso? Eu, nunca! Sabe aquela xícara quebrada que ainda não foi pro lixo porque foi presente de alguém importante pra você mas que, apesar de guardar, você nunca sonharia em servir alguma visita com aquilo. É mais ou menos isso aí que a gente se torna: precioso para Deus, inútil para os irmãos!


É tempo de reflexão, deixe seu comentário sobre o que você é feito e pode ir pensando duas coisas: 1. Está bem assim! Obrigado Senhor, sou um nadica e o Senhor quer me salvar, aleluuuuuuuuia! Desculpa ae por ter virado meia-boca, mas deve ter um lugarzinho reservado pra nossa equipe aí no céu! (Lugarzinho bem lotado aliás…) O importante é que eu derrapo mas não breco!


Ou, 2:- Senhor, perdão! O Senhor tem razão de não querer usar barbante pra puxar caminhão, de não usar canudinho de refri como snorkel. Quero ser material de primeira linha! Quero ser aço temperado e afiado na evangelização dos meus irmãos! Perdão por tantas e repetidas vezes Te receber na eucaristia e não deixar que o meu corpo se tornasse o Seu Corpo! Não deixar que este materialzinho de segunda que eu me tornei se revertesse pelo Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade naquele outro Cristo que o Senhor quer e necessita no mundo! Dai-me a graça de mudar o meu conteúdo, de permitir que o Senhor mesmo me transforme em Ti e que assim eu possa, ao apresentar minha carcaça no céu, ter adquirido uma etiqueta que conste apenas: 100% eucarístico – uso IRRESTRITO PARA TODAS AS FINALIDADES!


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Retirado de: www.revolucaojesus.com.br

terça-feira, 22 de março de 2011

“Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”

Ninguém merece a própria salvação. Essa frase pode parecer protestante, mas não é. É catolicíssima. E achei por bem escrever algumas linhas sobre ela.

Quando nós falamos que a salvação não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus (Ef 2, 8), queremos dizer exatamente isso: o homem não merece a própria salvação, por mais que ele seja “bonzinho”. Não a merece, porque a Salvação, a Vida Eterna, é coisa infinitamente maior do que tudo que o homem pode ser capaz de fazer.

A diferença entre a versão católica e a versão protestante desse conceito é a seguinte: para os protestantes, o homem absolutamente não merece a Salvação, de forma alguma, nem recompensa alguma dos Céus: é Deus que, sozinho, realiza todo o trabalho de salvar o homem. É o conhecido Sola Fide, que nega o valor das obras; estas servem tão-somente para “mostrar”, “evidenciar” a Fé.

A versão católica diz que o homem não merece a Salvação, mas passa a merecê-la de uma forma bem específica: da forma que Deus determinou. Que forma é essa? Por meio da Graça Santificante: sozinho, o homem é incapaz de fazer qualquer ato que seja minimamente meritório; contudo, em Estado de Graça, as suas obras passam a merecer recompensas, porque são feitas unidas a Deus. O homem coopera com Deus na própria salvação. É a conhecida frase de Santo Agostinho: o teu Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti.

Esta foi a forma que Deus “encontrou” para tornar o homem co-responsável pela própria Salvação: embora os atos dele, por serem humanos, sejam ínfimos diante da Infinitude Divina e, justamente por isso, não sejam dignos de recompensa alguma, Deus vem “morar” na alma do homem e, a partir daí, as obras do homem são “também” obras divinas, por serem feitas em união com Deus e, assim, tornam-se dignas de recompensa.

Não sei se me fiz entender: as obras humanas, feitas sozinhas, não têm valor, porque o homem decaído não merece nada dos Céus. Já as obras humanas, feitas em união com Deus, têm valor, sim, por causa da Graça Divina que a elas dá esse valor.

Decidi escrever sobre o assunto porque percebo um problema sério na concepção de Deus que as pessoas, atualmente, têm: Deus deixa de ser Justiça, e passa a ser pura Misericórdia. As pessoas perdem a consciência do pecado, e perdem a consciência de que merecem o Inferno! Essa é uma noção que deveria estar sempre presente em todos os cristãos, não como desespero, que é pecado, mas como um humilde reconhecimento de um fato: eu mereço o Inferno.

Quais as consequências da noção de Deus como Pura Misericórdia, e do esquecimento do fato de que o homem merece o inferno? Vai-se para o outro lado e as pessoas defendem, às vezes inconscientemente, que o homem merece o Céu.

Chesterton, no seu livro “Ortodoxia”, nos diz uma coisa muito interessante. Ele afirma que o dom da vida é uma graça absolutamente imerecida e que, por ser imerecida, o homem não tem direito de reclamar de nenhuma das “condições” inerentes a ela. E aí faz uma comparação com os contos de fadas. Reproduzo abaixo essa passagem:

As fadas madrinhas parecem, pelo menos, tão severas quanto as outras madrinhas. Cinderela recebeu uma carruagem vinda do País das Maravilhas e um cocheiro vindo não se sabe de onde, mas recebeu, também, uma ordem [...] – devia estar de volta à meia-noite.
[...]
Se Cinderela diz: “Por que eu tenho que sair do baile à meia-noite?”, a madrinha poderia retrucar: “Por que podes ficar lá até a meia noite?”. (G.K. Chesterton, Ortodoxia, p.79-80. São Paulo, LTR, 2001)

Qual o pernsamento de Chesterton? Se uma coisa é extraordinária, ela pode, muito bem, ter condições também extraordinárias. Cinderela recebeu, de graça, da fada madrinha, uma ida ao baile; acaso poderia ela reclamar das “condições” nas quais o recebeu? Igualmente, o homem recebeu, de graça, de Deus, a possibilidade de ir para o Céu. Acaso pode o homem barganhar com Deus e exigir ir para o Céu de uma maneira diferente daquela que o Altíssimo determinou?

Isso tem uma aplicação concreta e visível na nossa vida de cristãos. Devemos sempre ter a consciência de que o nosso passaporte para as Moradas Celestes é uma coisa completamente imerecida, e que possui condições bem determinadas para que tenha validade. Não adianta reclamar “ah, eu tenho aqui o passaporte”. Oras, por que você tem o passaporte?

O homem não tem direito à Salvação. Não a merece. E as pessoas dos nossos tempos se esquecem disso. Dou só dois exemplos.

O primeiro: um amigo dizia, dia desses, que a esposa dele, mesmo sendo separada e “casada” com ele, ia à Missa e comungava, porque “Deus sabia o que se passava no coração dela”. Isso é uma aplicação concreta daquele pressuposto acima: “eu mereço o Céu”. Oras, quem é que merece comungar? Ninguém. A comunhão é-nos dada gratuitamente, sem que mereçamos. E existem condições para que se comungue. Uma pessoa, que não merece comungar, exigindo o seu direito de fazê-lo, mesmo descumprindo as condições exigidas, é semelhante à Cinderela que bate o pé com a Fada Madrinha e exige ficar no baile até as três da manhã. Cinderela não tem esse direito. Nem a esposa do meu amigo.

O segundo: a salvação dos protestantes. É praticamente um dogma do senso comum que os protestantes, porque “louvam a Deus” e “seguem a Cristo”, estão fazendo a sua parte para se salvarem. Não estão. Isso é, de novo, a aplicação do princípio errado de que “o homem merece a Salvação”. Parte-se do pressuposto que, por serem “bonzinhos”, por “lerem a Bíblia”, por “evitarem o pecado”, “merecem” a Salvação. Não merecem. A Salvação é-nos dada gratuitamente, sem que mereçamos, e tem condições bem específicas para ser recebida, entre elas, a submissão ao Romano Pontífice. Descumprir essas condições e, ainda, esperar receber benevolência do Alto, é ser Cinderela de beicinho, duvidando de que, se ficar no Baile até depois da hora permitida, suas vestes de gala serão transformadas nos trapos da Gata Borralheira.

Por isso que o Magistério da Igreja sempre ensinou que é um erro“esperar bem da salvação eterna daqueles todos que não vivem na verdadeira Igreja de Cristo” (Syllabus, 17).

(Aqui, faço um rápido comentário, para dissipar possíveis equívocos sobre a Doutrina Católica: os protestantes e demais que vivem fora da Igreja não vão necessariamente para o Inferno. Porque a Igreja sempre ensinou que, fora de suas estruturas visíveis, há a salvação dos que estão em Ignorância Invencível, sobre a qual posso falar em outra ocasião. São, pois, dois erros opostos sobre os que vivem fora da Igreja: esperar que eles sejam salvos, ou negar-lhes qualquer possibilidade de salvação.)

São essas as considerações que julguei por bem fazer sobre esse tema. Que nós não nos esqueçamos, jamais, da moral da terra dos Contos de Fada; que nós, à semelhança de Cinderela, recebamos humildemente as graças que nos são concedidas junto com as exigências que nos são feitas, sem reclamarmos um pretenso direito que não temos. E que tenhamos sempre a consciência de sermos merecedores do Inferno; e, com os olhos voltados para o Alto, peçamos a Deus clemência e misericórdia, com a firme esperança de que Aquele que é Bom vai nos atender, não porque somos bonzinhos e fazemos tudo certinho, mas simplesmente porque Ele é Bom.

Eu mereço o Inferno (por Jorge ferraz)